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Pedral
Lourenção, de apelido Mangão, é casado com Luma. Ele se apaixona pela cunhada Lunete, que mora com a mãe, Rude Madrisse, em um dos lados da Cachoeira do Lago Vermelho, no município paraense de Itupiranga. Assim que rapta a menina, a mãe amaldiçoa Lourenção depois que ele some pelas águas da cachoeira do Itaboca. “Vai, desgraçado, pro inferno, pelo canal do inferno!” roga a mulher.
A narrativa e os personagens fictícios estão no novo romance do escritor paraense Salomão Larêdo, “Pedral - Canal do Inferno”. A obra chega hoje à Livraria Fox, mas em função da pandemia do novo coronavírus, o autor não realizará evento de lançamento.
O inferno e o Pedral são os cenários imaginários escolhidos por Salomão, que no desenrolar da história utiliza-se de personagens da mitologia ou de cenas que em algum momento lembram o Velho Testamento, para fazer uma alegoria a discussões importantes sobre a luta feminina, a questão do negro, além da política.
O local é real - o Pedral do Lourenço está situado entre as localidades de Santa Terezinha do Tauarí e Ilha do Bogéa, em Itupiranga. E o autor buscou inspiração no livro “De Belém a São João do Araguaia - Vale do Rio Tocantins’”, publicado em 1910 e reeditado em 1989 pela Fundação Cultural e Secretaria de Cultura do Pará, que relata a viagem de Ignácio da Silva Mourão (membro do Clube de Engenharia Civil, correspondente da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e deputado estadual do Pará), de Belém até São João do Araguaia, descrevendo os costumes dos índios. Larêdo avisa, porém: “É tudo ficção”.
“Eu sou romancista, da área da ficção, então fiz uma narrativa em cima de temas importantes para provocar reflexões sobre a água, o transporte, as nossas riquezas, o homem da Amazônia, o negro, o índio, que são temas recorrentes na minha trajetória”, afirma o escritor, que desde o início de sua carreira literária trabalha usando mitos indígenas, amazônicos, paraenses, gregos, romanos, egípcios, religiosos, utilizando-os para uma melhor compreensão da criatura humana.
“Sempre é um desafio a construção de um livro, fazer uma narrativa bem-feita e eficaz, mas é sempre gostoso trabalhar a ficção, porque me aproprio do universo lúdico para falar das coisas humanas”, descreve Larêdo.
Fonte: DOL

